Escolha uma Página

Poderíamos pensar que basta dizer que ler é um prazer para que mais pessoas leiam, mas infelizmente nem todos têm as experiências literárias necessárias para entender a verdade desta afirmação.

Queremos, por isso, deixar-vos algumas ideias para desenvolver a leitura e também a escrita, em dezembro! Mas, antes disso, alguns números importantes avançados pelo Ministério da Educação sueco:

– uma criança de 6 anos possui em média um léxico de 8 000 palavras na sua língua materna;

por cada ano escolar que frequenta, uma criança aprende cerca de 3 000 novas palavras;

a diferença entre um aluno de 17 anos que lê frequentemente e um aluno de 17 anos que não lê frequentemente é de cerca de 50 mil palavras, precisamente o mínimo considerado necessário para se conseguir ler o jornal, por exemplo.

 

 

Como se estes números não chegassem, num estudo efetuado em 2015 com alunos do Ensino Básico sueco, a Professora Monica Axelsson, da Universidade de Estocolmo, refere o volume do léxico como um dos fatores mais decisivos no sucesso escolar.

São estes estudos e estes números que nos levam a insistir: leia e discuta livros com os seus alunos/filhos! A resistência à leitura resolve-se com o livro certo para cada um! Antes de mais, ofereça ao leitor um livro que vá ao encontro dos interesses dele, e apenas depois um que vá ao encontro dos seus.

Agora, sim, eis as nossas sugestões!

 

Bola de Natal com Poema Personalizado

Malin Lybeck

 

 No Natal há que ser criativo! Então por que não combinar uma atividade manual com um exercício de escrita divertido para os alunos?

Quem não gostaria de receber uma bola de Natal personalizada com um bonito poema de Natal ou uma rima, para pendurar na árvore de Natal? O poema não precisa de rimar, mas muitos acham que é mais fácil assim.

Para inspirar os alunos, pode ser boa ideia começar por lhes dar palavras relacionadas com a área temática, como, por exemplo: neve, frio, estrela, cintilante, presente, bolo rei/panetone, Pai Natal/Papai Noel, árvore de Natal, véspera de Natal, Feliz Natal, desejo, bondade, antecipação, calendário, janela, bola de neve, vela, bacalhau, peru, entre outros.

Peça depois aos alunos que desenhem ou pintem uma bola, incluindo a parte de trás.

Se for difícil para os alunos escrever o seu próprio poema, também podem escrever um verso de Natal! Ou por que não umas palavras bonitas sobre a pessoa a quem a bola se destina?

Dica: plastifique as bolas de Natal depois de concluídas. Se não for possível, use um papel mais grosso. Se quiser, use o modelo que segue no fim do texto.

No final, recorte a bola, faça um furo no local do laço e passe um cordel. E já está!

 

 

Bingo de Natal

Telma Rodrigues e Gabriella Teixeira

 

O Bingo de Natal pode ser jogado individualmente ou em equipa.

Cada jogador/equipa recebe um cartão com as instruções, e uma caneta.

Cada vez que completar um dos elementos constantes na lista, os jogadores devem marcar essa instrução.

Vence o jogador/a equipa que concluir todas as instruções em primeiro lugar ou, alternativamente, cinco elementos em linha.

De acordo com a idade dos participantes, poderá ser aceite um número específico de linhas, páginas ou minutos a ler, por exemplo: Ler 10 minutos em voz alta para alguém; Ler 5 páginas pela manhã.

Os livros do bingo devem estar preferencialmente na língua materna da criança, podendo também ser aceites livros noutras línguas.

 

 

 

Escrever uma carta ao protagonista de um livro que esteja a ler!

Malin Lybeck

 

Esta atividade é bastante popular entre os alunos: escrever uma carta ao protagonista do livro que estejam a ler. Nos dias de hoje escrevemos poucas cartas e, com certeza, muitos dos seus alunos nem nunca escreveram uma!

Discuta a estrutura da carta com os alunos, com local, data, destinatário, introdução, conclusão e remetente.

O mais importante é o conteúdo da carta. O aluno deve imaginar que o protagonista do livro existe mesmo e escrever uma carta a essa pessoa. Como é que ele/ela se sente no livro? O que sucede na sua vida? Queremos consolar essa pessoa? Ou perguntar-lhe alguma coisa?  Será que a pessoa fez algo de mal no livro? Ou preferimos contar alguma coisa da nossa vida?

Depois de escreverem a carta, os aluno podem inventar uma morada e desenhar um selo, e podemos discutir o significado de “portes” e de quanto custa enviar uma carta, por exemplo para Portugal.

Eu fiz uma caixa de correio com uma caixa de sapatos e os alunos deitaram as cartas lá dentro. Depois, li todas as cartas para a turma, sem dizer quem as tinha escrito (os alunos queriam que as cartas fossem anónimas).

Enquanto remetentes, inventaram também uma assinatura, como “De alguém que se preocupa”, “Do teu amigo” e assim por diante.

Caso tenha tempo, pode ser sempre o professor a ler e a responder à carta.

No meu exemplo, li o livro “Matilda”, de Roald Dahl. A Matilda não tem uma vida lá muito fácil e é injustiçada quer pela família quer na escola, por isso na minha carta de Natal decidi consolá-la e tentar fazer com que pense de forma positiva, encorajando-a a seguir os seus sonhos.

 

 

 

Quem lê mais?

Catarina Stichini

 

Este concurso deve ser jogado por duas ou mais equipas/famílias e tem como objetivo ver quem consegue ler mais durante um determinado período de tempo.

As famílias decidem juntas a duração do jogo: o mês de dezembro, as férias de natal ou até ao início das aulas, por exemplo. E depois começam a ler!

Por cada livro lido, a família acrescenta uma bola, uma moeda ou um feijão num copo. No fim do concurso, ganha a família que tiver lido mais livros.

A família vencedora pode receber um presente (um livro!) ou as moedas dos adversários.

Para tornar a atividade mais interessante, pode ser criada uma conversa no Whatsapp ou noutra plataforma digital, onde cada um deverá colocar uma fotografia dos livros que tiver lido, com um comentário, gerando uma discussão sobre os livros.

 

 

 

Tem mais sugestões para desenvolver a leitura e a escrita no Natal?

Escreva nos comentários!

Boas leituras e Feliz Natal!

 

 

Referências:

Axelsson, M. (2015). Nyanländas möte med skolans ämnen i ett språkdidaktiskt perspektiv. I: Bunar, N. (red.), Nyanlända och lärande – mottagande och inkludering. Stockholm: Natur & Kultur, s. 81-138.

 

Créditos dos textos e fotos:

Malin Lybeck: Bola de Natal com Poema Personalizado; Escrever uma carta ao protagonista de um livro que esteja a ler!
Telma Rodrigues e Gabriella Teixeira: Bingo de Natal
Catarina Stichini: Quem lê mais?


Catarina Stichini
 é professora há mais de vinte anos, tendo já lecionado do ensino infantil ao universitário. Em 2018, foi nomeada para o Prémio para a Promoção de Línguas Minoritárias e, em 2014, para o Prémio de Melhor Professor da Universidade de Estocolmo, ambos na Suécia, país onde é atualmente professora de Português Língua de Herança. Dedica parte do seu tempo ao PortCast, uma plataforma para a aprendizagem de português através de podcasts, e à FLIS – Feira do Livro Infantil em Português na Suécia. Tem um filho luso-sueco com 7 anos.

Gabriella Teixeira é formada em Comunicação Social e trabalha como professora de Português como Língua de Herança na Suécia. Apaixonada por literatura infantojuvenil, em 2015, criou o projeto, Cantinho da história na Suécia, onde realiza diversas contações de histórias em português nas bibliotecas de Estocolmo e também em Uppsala.

Malin Lybeck é pedagoga numa biblioteca há cinco anos. Antes disso, trabalhou como freelancer em diferentes áreas criativas, como tradutora, escritora, cantora e atriz.Também escreveu um livro publicado na Noruega, chamado “Sirkus Milliojossi”, que já foi levado a cena três vezes. Desde criança que adora ler e considera que poder fugir da realidade e entrar no mundo das histórias é maravilhoso. Dois dos seus autores preferidos são Roald Dahl e Astrid Lindgren. Siga-a no Instagram em Tavestaskolanbibliotek.

Telma Rodrigues é professora de Português, na Suécia, há três anos. Começou na Universidade de Estocolmo lecionando a adultos, e agora em Estocolmo e Södertäjle ensina crianças e adolescentes. É colaboradora do Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Estocolmo, Camões I.P. e do PortCast. Dedica parte do seu tempo livre à FLIS – Feira do Livro Infantil em Português na Suécia, um fantástico projeto para promover a leitura em Português junto das comunidades lusófonas residentes no país onde vive.